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Em busca de alternativas para a energia

Especialistas entrevistados afirmam que o Rio Grande do Sul tem várias opções que podem ser desenvolvidas, como a geração de energia a partir da casca de arroz e dos resíduos de madeira

O crescimento da população e da economia está ocasionando a procura por novas formas de geração para atender ao aumento da demanda de energia. Soma-se a isso, a questão ambiental que faz com que os empreendedores pesquisem fontes de menor impacto à natureza.

Nesse aspecto, o Rio Grande do Sul tem várias ações que podem ser desenvolvidas. O assessor técnico da Secretaria estadual de Infraestrutura e Logística (Seinfra), João Carlos Félix, aponta que o Estado tem potencial para aproveitar a geração de energia a partir da casca de arroz e dos resíduos de madeira. Essa última alternativa ganha força com o projeto de ampliação da unidade de celulose da CMPC Celulose Riograndense, localizada em Guaíba. A fábrica, que anteriormente era da Aracruz, foi comprada recentemente pelo grupo chileno.

Félix lembra que a Koblitz já desenvolve a produção de energia através de resíduos florestais em uma usina localizada no município de Piratini. Outra possibilidade ressaltada pelo assessor técnico da Seinfra é com a cana-de-açúcar. A instalação de uma usina de etanol em São Luiz Gonzaga, da empresa Noroesthe Bioenergética, será um dos primeiros empreendimentos que contribuirá para essa situação. A iniciativa prevê a utilização do bagaço da cana para alimentar uma termelétrica e gerar energia para a própria unidade e para o sistema interligado nacional. Além disso, Félix salienta a pesquisa sobre módulos fotovoltaicos desenvolvida na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs).

O diretor da Enerbio Consultoria, Eduardo Baltar de Souza Leão, também inclui as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) como empreendimentos que apresentam condições para serem amplamente desenvolvidas no Estado e no País. As PCHs são usinas com potência de 1 MW a 30 MW que exigem menores reservatórios do que as grandes hidrelétricas. Segundo Félix, o Rio Grande do Sul pode acrescentar mais cerca de 700 MW, em dois anos, em geração através de PCHs. Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são 32 PCHs operando hoje no Estado que totalizam uma capacidade de 305 MW (cerca de 8,5% da demanda gaúcha de energia).

Leão acredita que a tendência é de que um número maior desses complexos seja construído, inclusive, diminuindo ainda mais suas potências. O dirigente projeta que usinas de menos de 1 MW deverão ser utilizadas para alimentar parques industriais ou centros comerciais em médio prazo. Em um futuro mais distante, o dirigente aponta a perspectiva de que outras fontes comecem a se tornar competitivas economicamente, como é o caso da energia solar e das marés.

Por enquanto, ele defende que essas energias mais caras devam contar com algum subsídio governamental para apresentar alguma evolução no Brasil. Um mecanismo que o governo federal criou para apoiar a geração eólica foi o leilão específico para essa fonte. Ou seja, os projetos eólicos concorreram entre si e não contra gerações tradicionalmente mais baratas como a hídrica e a térmica.

Leão lembra que a região Nordeste teve mais sucesso do que o Rio Grande do Sul na primeira disputa desta espécie, realizada em dezembro, porque conta com incentivos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Os benefícios concedidos aos investidores nordestinos permitiram que os seus parques eólicos tivessem um custo de geração mais baixo do que a maioria dos demais.

Notícia da edição impressa de 04/03/2010 

Eduardo Baltar
eduardo@grupoecofinance.com.br
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